Eu era como você, blogueiro de várzea, excluído, com dois acessos diárias e tal. Acontece que um dia minha vida quase mudou. Eu ia ficar rica e ser famosa na internet. Tudo começou quando eu tive a idéia de fazer um site chamado Não Saia Com Ele. Tá, não foi uma idéia original. Eu vi esse site aqui e pensei “Oh, puxa! Se tivesse um troço desse aqui no Brasil, ia bombar”. A proposta era dar um espaço para que moças cujo relacionamento tivesse FAIL fossem lá contar o que o bofe tinha aprontado com elas. Era, em suma, um serviço de utilidade pública pro universo feminino. Veja a vantagem da coisa: você vai pra balada e conhece um fulaninho. Antes de sair se atracando com ele por qualquer cerveja, você consultava o nome do moço no Não Saia Com Ele. Se ele estivesse postado lá, sinal que era encrenca. Aí você o dispensaria com toda a gentileza do mundo e esperaria pelo próximo xaveco, certa de que tinha se livrado de uma foda e nada mais roubada. Era ou não era uma idéia genial?
Já me via como formadora de opinião e fazendo parte da meritocracia informal da internerds.Visualizei até o tio Interney me chamando pra ser parceira. Que sonho!
Daí eu conversei com um *cof* amigo meu que trabalhava numa dessas agências especializadas em mídias sociais ou coisa que o valha e ele supercomprou a idéia. E como bom *cof* amigo que era, se dispôs a fazer o meu site por um precinho de *cof* ocasião.
O tempo passou e em agosto de 2006 coloquei o Não Saia Com Ele no ar. Funcionava tal qual um blog. Cada “causo” correspondia a um post, com comentário aberto pra geral dar suas opiniões relevantes (leia-se baixaria pura e simples). Gents, foi um estouro. Tinha mais de 50 mil acessos diários. De repente, virei uma estrela. A folha queria me entrevistar, o estadão queria me entrevistar, o fantástico quis me entrevistar. Até Rosana Hermman, a blogueira mais famosa ever – segundo rankings que falharam tão miseravelmente quanto este blog – perdeu tempo pra falar do Não Saia Com Ele. Vejam que potencial era a bagaça. Tinha jornalista todo dia no meu pé. E, claro, programas de tevê toscos quiseram me entrevistar também. E eu dei. Dei entrevista pra todo mundo. Afinal, era a chance de virar sucesso na internet e, mais que isso, ganhar de R$ 300,00 a R$ 1.000,00 por mês.
O tempo passou mais ainda, os jornalistas sumiram, a audiência do site também sumiu e ninguém jamais me reconheceu na rua. No lugar do que antes era sucesso de audiência, vieram emails de homens furiosos e ameaças de processo. Inclusive, a última ameaça de ser levada às cortes do judiciário veio – olha a ironia – de um advogado blogueiro famoso. E assim, o site era – ou é, porque ainda existe, mas tá hackeado – ruim pra diabo. Dava pau toda hora, o banco de dados era uma piada e não tinha nenhuma segurança (como eu disse, ele está hackeado. Pela décima vez).
Frustrada por não ter conseguido me firmar como uma blogueira famosa, nunca ter sido convidada a passar finais de semana numa paradisíaca praia do Guarujá e nem sequer ter sido cogitada para fazer um post pago de vibrador, comecei a levar uma vida promíscua. Passei a frequentar inferninhos, beber todos os dias e fazer merda. Voltei pra vida de várzea, comecei a ler Bukowski, Fante e Leminski e todos os meus heróis morreram de overdose passei a escrever sobre como eu andava “mucho loca” por aí por causa do sucesso que tinha FAIL mimimimimi. Quem sabe um dia meu blog vire livro e depois um filme? Ó que é possível, heim? Leandra Leal, oi?
FAILmeliga!
