Ser famosa na internerds e ficar rica FAIL!

11/02/2009 por Beijomeliga

Eu era como você, blogueiro de várzea, excluído, com dois acessos diárias e tal. Acontece que um dia minha vida quase mudou. Eu ia ficar rica e ser famosa na internet. Tudo começou quando eu tive a idéia de fazer um site chamado Não Saia Com Ele. Tá, não foi uma idéia original. Eu vi esse site aqui e pensei “Oh, puxa! Se tivesse um troço desse aqui no Brasil, ia bombar”. A proposta era dar um espaço para que moças cujo relacionamento tivesse FAIL fossem lá contar o que o bofe tinha aprontado com elas. Era, em suma, um serviço de utilidade pública pro universo feminino. Veja a vantagem da coisa: você vai pra balada e conhece um fulaninho. Antes de sair se atracando com ele por qualquer cerveja, você consultava o nome do moço no Não Saia Com Ele. Se ele estivesse postado lá, sinal que era encrenca. Aí você o dispensaria com toda a gentileza do mundo e esperaria pelo próximo xaveco, certa de que tinha se livrado de uma foda e nada mais roubada. Era ou não era uma idéia genial?

Já me via como formadora de opinião e fazendo parte da meritocracia informal da internerds.Visualizei até o tio Interney me chamando pra ser parceira. Que sonho!

Daí eu conversei com um *cof* amigo meu que trabalhava numa dessas agências especializadas em mídias sociais ou coisa que o valha e ele supercomprou a idéia. E como bom *cof* amigo que era, se dispôs a fazer o meu site por um precinho de *cof* ocasião.

O tempo passou e em agosto de 2006 coloquei o Não Saia Com Ele no ar. Funcionava tal qual um blog. Cada “causo” correspondia a um post, com comentário aberto pra geral dar suas opiniões relevantes (leia-se baixaria pura e simples). Gents, foi um estouro. Tinha mais de 50 mil acessos diários. De repente, virei uma estrela. A folha queria me entrevistar, o estadão queria me entrevistar, o fantástico quis me entrevistar. Até Rosana Hermman, a blogueira mais famosa ever – segundo rankings que falharam tão miseravelmente quanto este blog – perdeu tempo pra falar do Não Saia Com Ele. Vejam que potencial era a bagaça. Tinha jornalista todo dia no meu pé. E, claro, programas de tevê toscos quiseram me entrevistar também. E eu dei. Dei entrevista pra todo mundo. Afinal, era a chance de virar sucesso na internet e, mais que isso, ganhar de R$ 300,00 a R$ 1.000,00 por mês.

O tempo passou mais ainda, os jornalistas sumiram, a audiência do site também sumiu e ninguém jamais me reconheceu na rua. No lugar do que antes era sucesso de audiência, vieram emails de homens furiosos e ameaças de processo. Inclusive, a última ameaça de ser levada às cortes do judiciário veio – olha a ironia – de um advogado blogueiro famoso. E assim, o site era – ou é, porque ainda existe, mas tá hackeado – ruim pra diabo. Dava pau toda hora, o banco de dados era uma piada e não tinha nenhuma segurança (como eu disse, ele está hackeado. Pela décima vez).

Frustrada por não ter conseguido me firmar como uma blogueira famosa, nunca ter sido convidada a passar finais de semana numa paradisíaca praia do Guarujá e nem sequer ter sido cogitada para fazer um post pago de vibrador, comecei a levar uma vida promíscua. Passei a frequentar inferninhos, beber todos os dias e fazer merda. Voltei pra vida de várzea, comecei a ler Bukowski, Fante e Leminski e todos os meus heróis morreram de overdose passei a escrever sobre como eu andava “mucho loca” por aí por causa do sucesso que tinha FAIL mimimimimi. Quem sabe um dia meu blog vire livro e depois um filme? Ó que é possível, heim? Leandra Leal, oi?

FAILmeliga!

Jerôôônimo!

10/02/2009 por Júlio César

Mais do que falhar miseravelmente na tarefa de ser alguém na meritocracia informal da internet, é preciso que documentemos os epic fails da blogosfera – seja ela inserida no sistema de castas do nosso Buda, o filho do Fernando Henrique, aquele blogueiro para lá de cardoso famoso ou não. Isso se dá através de Flickrs, onde as festinhas regadas à bebida de graça e jabá barato revelam fotos aterrorizantes ou através de dados estatísticos que mostram, por meio de uma queda vertiginosa, que o ego do blogueiro é proporcional ao seu número de visitas.

Mais do que um gráfico, uma ode ao epic fail

Mais do que um gráfico, uma ode ao epic fail

O Imperador precisa de paráquedistas com experiência.

Rank FAIL!

04/02/2009 por Barone

Blog FAIL!

04/02/2009 por Júlio César

Quando eu comecei a escrever em um blog, nos idos de 2002, não imaginava que a ferramenta se tornaria algo capaz de determinar a “meritocracia informal” da internet. Blog ainda era uma espécie de diário, onde você escrevia qualquer bobagem sobre o seu dia e outras pessoas liam, porque o dia delas também era recheado de bobagens.

O tempo passou e os blogs cresceram. Hoje eles formam opinião, eles vendem produtos, eles são um canal de comunicação entre a sociedade. Uma mídia social capaz de transformar um boato em fato, capaz de transformar o Astolfo em Rogéria. Basta que, para isso, você tenha page views infinitos e links que influenciam pessoas. [insira aqui o nome de um problogger qualquer]

Mas na contramão dessas bobagens ditas acima, temos os blogueiros que falharam miseravelmente nesta missão. Blogueiros que continuam varzeanos, que falam do seu dia-a-dia e que dão pitacos no dia-a-dia alheio. Aqueles que não colocam adsense por razões morais ou pela falta de paciência em esperar que um cheque de cem dólares chegue daqui 30 anos. Trabalho escravo por trabalho escravo, eu já tenho o meu, obrigado (isto não é um agradecimento).

Não podemos, porém negar o óbvio: a tal meritocracia que falhou miseravelmente na condição de empresários da mídia social tornando-se -  aos olhos do mundo – gordos punheteiros ou velhos que babam por menininhas frívolas de doze anos. Afinal, se a internet é um mundo livre, que a putaria e a pedofilia seja instituída no coração desta gente que forma opinião. A rede não nasceu para suportar blogs. Nasceu para distribuir a pornografia e ascender ao reino da Social Media aqueles que melhor se masturbam. Porque um velho babão tem mais função nesta vasta rede do que um comedor nato.

Logo, o fracasso é algo intrínseco à Blogosfera. Se um blogueiro deu certo, pode ter certeza que ele deu para alguém de fora da Blogosfera. O restante pensa que deu certo, mas falhou. Seja ele um mega-empresário da mídia social ou alguém que ganha de 300 a mil reais por mês.

E se esse tipo de gente não conseguiu chegar lá – sendo lá aquele lugar onde as empresas pagam hotel para você falar bem de um produto merda, o que dizer dos que nem tentaram, como este que vos escreve.

Esse é o espírito do Fail Blogs Brasil. Ser espírito de porco. Se tivéssemos um adsense, ele anunciaria repelente de tubarão. Um publieditorial sobre uma bebida baseada na ácido sulfúrico seria de bom grado. E o que dizer de nossas blogueiras na Playboy? Alguém aí tem o link da Preta Gil?

Nossa missão é falhar miseravelmente, assim como a tal da meritocracia informal da internet falhou. Mas sem que precisemos, no auge dos nossos 40 anos e 112 quilos, pagar pau para meninas de doze ou para, sei lá, botos.

PS: Quem comentar “isso me cheira a inveja” engrossará a fila daqueles que merecem ter um adsense nas pregas anais.